TENDÊNCIA DE PUBLICAÇÃO E IMPACTO DE ARTIGOS EM INGLÊS EM REVISTAS BRASILEIRAS, ALEMÃS, ESPANHOLAS E FRANCESAS
Resumo
A preocupação por parte das agências financiadoras com o aumento do impacto das pesquisas tem exercido influência marcante sobre a comunicação científica (ROOSENDAAL e GEURTS, 1998). No Brasil, a resposta dos atores dessa cadeia de comunicação tem se mostrado errática e sem um foco bem definido, com resultados muitas vezes ruins para a qualidade e a confiabilidade do periodismo científico nacional.
Um claro exemplo disso foram os casos recentes de suspensão do JCR de revistas brasileiras tradicionais, em diferentes áreas do conhecimento, em razão da inflação artificial no número de autocitações. Ainda mais grave, o episódio de citações cruzadas entre periódicos brasileiros teve grande destaque com a reportagem na revista Nature (van NOORDEN, 2013). No entanto, caminhos para o aumento da qualidade e relevância do periodismo científico de países em desenvolvimento têm sido apontados
(MENEGHINI, 2012). Segundo os autores, o aumento da qualificação dos editores e a internacionalização do corpo editorial das revistas são medidas importantes para maior inserção mundial e impacto das pesquisas em países com produção científica menos expressiva do que a de gigantes como EUA, China, Inglaterra e Alemanha. Para isso, mudanças também são necessárias na concepção e no planejamento das pesquisas,
com elaboração de projetos científicos mais ambiciosos e de aplicabilidade mais geral, que não se restrinjam a problemas científicos locais, específicos para uma determinada localidade (LADLE; TODD e MALHADO, 2012). Nesse sentido, para que a internacionalização e o aumento do impacto da produção científica ocorram, a publicação em inglês deverá ser priorizada (MENEGHINI e PACKER, 2007). O fato de o inglês ser a língua oficial da ciência faz com que a publicação nessa língua tenha uma audiência
potencial muito maior do que a publicação em outras línguas. O expressivo efeito da publicação em inglês sobre o desempenho bibliométrico da produção científica indexada em bases internacionais tem feito com que o desempenho acadêmico de autores, instituições e países, autores, instituições e países seja avaliado exclusivamente nessa língua (WALTMAN et al., 2012). No entanto, essa tendência não é desejável, uma vez
que o número de artigos de determinado país, indexados nessas bases, tem influência decisiva sobre o impacto em citações da produção científica de países que não tenham o inglês como língua nativa (BASU, 2010). Além disso, a produção científica em língua nativa pode ser mais adequada para a comunicação de dados de ciência aplicada, de interesse específico para determinado país (MENEGHINI, 2012). Isso justificaria a ocorrência comum de revistas brasileiras tradicionais que publicam tanto em inglês como
em português, especialmente na área de ciências agrárias. Contudo, a percepção comum de que a publicação em inglês tem a capacidade intrínseca de aumentar o impacto das pesquisas tem feito com que essas revistas priorizem a publicação nessa língua. Essa percepção parece ancorada, no entanto, simplesmente no senso comum, uma vez que os
trabalhos que avaliam o desempenho bibliométrico de artigos publicados em diferentes línguas não isolam os efeitos de áreas do conhecimento, prestígio do periódico e número de artigos de cada país indexados nessas bases (WALTMAN et al., 2012). O objetivo deste trabalho foi validar a tendência de aumento na publicação de artigos em inglês na área
de ciências agrárias, em diversas revistas brasileiras, alemãs, francesas e espanholas, indexadas na Web of Science (WOS) e que publicam em suas línguas nativas ou em inglês, bem como avaliar o impacto diferencial entre os artigos nas diferentes línguas.
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